quinta-feira, 2 de julho de 2009

PREPARAR PARA A DECOLAGEM...

Atenção senhores passageiros, diretamente do Aeroporto Pé de Chinelo, aqui quem fala é o comandante !!
Esta aeronave possui a mais perfeita aerodinâmica, baseada em padrões totalmente livres e naturais.
Nosso estofamento é moderno, colorido e aveludado, flutuante em caso de pouso na água.
A seguir daremos início ao serviço de bordo....




VALE TUDO...

Vale passar os pratos pela janela...
Valem os copos de lata...
Vale palmito de pupunha...
Vale tomatinho do quintal...
Vale churrasco bem passado...
Vale sorvete com mel e banana assada...
Só não fale ficar sem meu feijão !!!








HE'S BLACK AND WHITE...

..And I told about equality
An it's true
Either you're wrong
Or you're right
But, if
You're thinkin'
About my baby
It don't matter if you're
Black or white

E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO...

Oou oou oou...
e com muita cebolinha verde, peito de frango, macarrão e mandioquinha !!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

IGUAL MAS DIFERENTE OU VÁ MOLDAR PAÇOCAS.

Ontem ao chegar em casa após o trabalho resolvi voltar ao blog Come-se para rever a tal paçoca que havia ficado com vontade de comer e de fazer porque não vai ao fogo e achei que não é muito doce.
Logo vi que não tinha todos e nem a quantidade dos ingredientes necessários. Mas a base estava garantida.
Então no processador coloquei o amendoim, açúcar mascavo e melado de cana, sem medir nada, apenas no "zóião". E pra quebrar a cópia total, ainda juntei uma pitada de sal, assim com rima e tudo.
Eis então uma paçoca que pretendia ser igual, mas acabou diferente e ficou deverasmente boa.
E enquanto lavava a louça, já fui convocando a Bruna:

-Vá moldar paçocas !!!!!!!



quarta-feira, 17 de junho de 2009

A BELA E O FERA...

Desde sempre ela se encantou com bichos, bichinhos e bichões. Seus favoritos são os cachorros e não por acaso eles também a perseguem.

Conhece todos os "modelos", desde os galgos mais magrelos e nobres até os "guaipecas" e SRD's* mais abandonados. Segundo ela, é como se eles lhe sorrissem e ao ver um rabinho abanando ela irresistivelmente já vai fazendo amizade, dando um petisco, trazendo pra casa. Já chorou inúmeras vezes pra adotar tudo que é cachorro encontrado.

Na sequência abaixo, em Brotas, o encontro com um cachorro de uma amiga que é fujão e que quando consegue fugir de sua casa, imediatamente se refugia na da minha mãe. Isso já acontece há muito tempo e já nos achamos um pouco donos da fera - ah e o nome dele é mesmo Fera.

*sem raça definida - também conhecidos como vira-latas...










SÃO JOAÕ ANTONIO PEDRO...

Morei em Brotas até os 17 anos, quando quis bater asas, fazer faculdade, trabalhar e me mandei pra Campinas.
Depois de ter saído, não me lembro de ter ido a alguma legítima festa junina em área rural, daquelas que meu avô fazia no sítio, com fogueira, muito rojão, pipoca, quentão, e o mastro dos 3 santos: O Antonio, o João e o Pedro. Lembro de mim criança, catando flores de São João que subiam pelas cercas para enfeitarmos o mastro, lembro do meu avô que fazia a trezena de Santo Antonio, das brincadeiras e simpatias (isto já mais mocinha), que fazíamos pra descobrir com quem iríamos casar, na noite da véspera do dia de Santo Antonio - alcunha de santo casamenteiro.
E então, por essas que o destino prega, casei-me neste dia, há exatos 16 anos, com quem cujo nome nunca havia estado nos papeizinhos que colocávamos numa bacia com água pra dormir no sereno e ver qual estaria aberto no dia seguinte e que seria o tal do príncipe encantado.
E aconteceu que neste ano estávamos em Brotas e uma amiga dos tempos idos, cujos pais foram vizinhos de meus avós, me convidou para a festa junina no sítio ao qual eu não ia há muito, mas muito tempo mesmo.
A sua família tem isso por tradição e sua mãe, Dona Antonieta que já tem 92 anos, faz questão que se repita todos os anos. O esquema é convidar muita gente, fazer a reza na capelinha, erguer o mastro, e servir muita, mas muita comida boa, chocolate quente e quentão de pinga.
Foi uma noite de muita saudade, de rever gente conhecida, alguns que nem me reconheceram, outros que faziam questão de lembrar quanto tempo passou desde o tempo em que éramos crianças e jovens, enfim uma noite muitíssimo agradável, bastante frio é fato, mas recheada de saudade e alegria.


Dona Antonieta faz questão de sair da igreja e acompanhar o mastro, numa compenetração de fé irrepreensível.

Os homens erguem o mastro...

Diz a tradição que moça solteira que "soca" a terra no pé do mastro, consegue arrumar marido...

Acho que tem homem que também tá querendo casar...

A casa de um dos filhos, cheia de gente...

A igrejinha, linda e pequenina...

Fiquei com vergonha, mas fotografei a santa...

Santo Antonio três vezes...

Aquecendo...

Flagrante de uma parte das comilanças...

terça-feira, 9 de junho de 2009

FA - RO - FA

Sinceramente não entendo quem diz que não sabe cozinhar, e se contenta em dizer que a única coisa que sabe fazer é ovo cozido e Miojo.
Claro que não sei fazer tudo o que gostaria, não compro ingredientes mirabolantes e exóticos a ponto de ter o orçamento prejudicado, tenho grandes reservas com quetais de peixes crus, pratos e embutidos com sangue, dobradinha, gafanhotos, lesmas, turus, saúvas ou outros que possam inebriar a Neide Rigo. Porém, contudo, todavia, acredito que não é necessário muito esforço ou grandes conhecimentos para se fazer com simplicidade, um monte de coisa gostosa.
Como não tenho mais empregada, faço o nosso almoço pela manhã antes de vir trabalhar. Dou cabo de fazer em meia hora, quarenta minutos, coisas simples, gostosas e que eu chamo de honestas. Um repolho refogado, uma couve-flor com molho branco, uma berinjela com tomates, uma tortinha rápida com peito de frango e massa batida no liquidificador. E o que dizer das farofas. Ah, farofa todo mundo tem de saber fazer.
Afinal a farofa é um grande e democrático prato, até o nome já sugere uma lambança, uma miscelânea. Numa farofa, podemos "esconder" os legumes que as crianças não querem comer, podemos misturar o que vier à mente e tivermos na geladeira, e dá pra torná-la até um prato único. Pra mim, não há nada mais gostoso que uma "farofa de tudo" com feijão bem quentinho e uma saladinha verde.
Nesta da foto eu usei linguiça sem trema caseira, farinha de mandioca biju sem acento, banana prata preciosa, temperos a gosto em junho, cheiro verde bem verde e cheiroso.

Ah, uma parte da linguiça eu esfarelei e juntei à farinha e algumas eu deixei inteiras pra chamar a atenção.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

DE MÃES E ORQUÍDEAS...

Nós nos falamos diariamente, ás vezes mais de uma vez por dia.
Pra dizer oi, pra perguntar de novo se está tudo bem, pra dar risada, pra contar qualquer coisa que minimize a saudade, passar uma receita, contar um causo...
"Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo."
Diferentemente do poema, meu pai não montava a cavalo, mas igualmente ao poema minha mãe ficava sentada costurando.
"E eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé."
Igualmente eu também nem nunca havia sequer ouvido sobre esse tal Crusoé que "conheci" já muito depois na Faculdade. Mas, você certamente fez e faz minha história bonita, mais bonita e muito bonita ah lá isso faz mesmo.
Fazendo o almoço do dia das mães, simples, prático e do meu jeitão, claro após já ter falado ao telefone, com inveja de não poder estar comendo sua feijoada, pico cebolas, amasso dentes de alho, um arroz lavado, uma carne no forno, e o pensamento girando, girando.
Te vejo à máquina, chuleando costura, meu caderninho com o "ponto" do lado e você me fazendo as perguntas para a prova do dia seguinte. Lembro de quando comprou a primeira máquina elétrica e nós em volta de você - eu e o Beto - incomodando, querendo apertar o pedal, costurar retalhos pra testar a nova engenhoca moderna.
E nos sábados à tarde, quando passava a roupa das freguesas, dobrava impecavelmente, enrolava em uma toalha felpuda e me dava nos braços como a um garçom segurando uma bendeja e mandava entregar na casa da felizarda. Quantas até hoje são suas freguesas, sem falar daquelas para as quais já costurou para quatro gerações.
Lembro de sua foto com vestido, faixa e coroa de Miss quando foi Rainha do SESI, e do ciúme que meu pai tinha e tem de você, até hoje...ahaahahah...que lindas aquelas fotos e você, mocinha, mas cujo "ar" possui até hoje.
E o que dizer dos programas do radinho de pilha - Osmar Cardoso, Impecável Maré Mansa, todos de futebol que nós até hoje adoramos - que sempre foi teu companheiro mesmo atualmente que já tens em teu quartinho de costura TV e telefone.
Ah, como esquecer dos bolos de aniversário que você fazia, com recheio de doce de abacaxi e coco, cobertos com claras em neve, os refrigerantes "caçulinha" que encomendava no Armazém do "Seu Cláudio Jordani", a pizza de sardinha e os pastéis feitos pela Vó Carminha - essa outra mãezona e avó.
Meu primeiro vestido de baile que você fez, vermelho, tomara que caia com uma faixa presa ao busto que dava voltas, terminava em um laço e virava um lindo drapeado, com saia fluida e forro de cetim. A sandália de verniz preto, de salto alto, somente uma tira no pé, outra no calcanhar - ai que vontade que tinha de usar salto com aquela idade - que você encomendou para uma de suas clientes trazer de Piracicaba.
Quando resolvi trabalhar com quinze anos, contra a vontade do meu pai, mas com todo o seu apoio. Fui trabalhar na creche, cuidar das crianças cujas mães mais pobres precisavam trabalhar para garantir uma vaga. E você me ensinando a poupar, a ter minhas próprias economias a fazer enxoval. Acho que a Bruna nunca ouviu essa palavra.
Aos 17 anos, terminado o colegial, quando quis me mudar para Campinas pra trabalhar e fazer faculdade, também a princípio contra a vontade do papi, mas com todo o seu apoio.
E quantas e quantas roupas você me costurou neste tempo todo e até hoje. Quantas vezes em dias de bailes de cidade pequena, minha roupa foi a última a ficar pronta, já quase na hora de ir para o clube. Afinal, as clientes em primeiro lugar.
E a história de que dava azar experimentar vestido de outra noiva, mas eu é que era sua manequim das clientes que moravam fora.
Até que você fez o meu próprio vestido de noiva, que era lindo e que mantemos guardado até hoje para ser da Bruna - eta ilusão besta....mas assim vamos levando a vida não é ?
Por falar em vestido de noiva, eu já no cabeleireiro me arrumando, ao abrir o lençol que embrulhava o vestido, encontro numa caixinha, linha, agulha e um botãozinho forrado tamanho 12, igual aos demais do vestido, para uma emergência....você sempre pensando em tudo. E eu acho que você nem sabe que quase 16 anos depois eu guardo até hoje a caixinha com o botãozinho e ela já foi comigo para todos os cantos em que já morei.
Quando as crianças nasceram, uma em Campinas; outra no Rio de Janeiro lá ia você passar uma semana comigo e quem gostava mesmo era o Canuto pois lá vinham comida gostosa, cafezinho toda tarde e a vida besta continuando....
Hoje com quatro netos, você é unanimidade para eles que carinhosamente a chamam de Tosquinha e como gostam de seus agrados e te defendem incondicionalmente, para total ciúme do Vô Borão.
Poderia ficar a escrever, a escrever e a escrever, mas creio já estar de bom tamanho depois de tanto tempo afastada do blog. O tempo urge e ruge. Bom mesmo é saber conscientemente que você sabe de tudo isso, pois até hoje a internet não aguçou sua curiosidade. Seus interesses são mesmo as costuras, os tecidos, os moldes, modelos, tesouras desde os seus dezoito, vinte anos, pois como não pôde estudar Medicina as opções foram aprender a costurar ou a tocar sanfona, por mais estranho que isso possa parecer.
Bem, as fotos das orquídeas são de uma exposição que houve aqui em Curitiba no Jardim Botânico, num domingo de muito sol. O cheiro delicioso e sutil, exalado por toda a sala onde estavam, é ímpar e inigualável. As orquídeas florescem apenas uma vez ao ano, mas os cuidados devem ser diários e até que uma muda floresça passam-se de quatro até cinco anos.
Para as mães, temos simbolicamente apenas um dia do ano que lhes é dedicado, mas assim como as orquídeas, elas também requerem cuidados diários e as flores somos nós, seus filhos; que nos tornamos também mães e pais e vamos perpetuando a tal da vida besta, mas que vale muito a pena, e nos faz ter histórias mais bonitas do que as de Robinson Crusoé.


















quinta-feira, 19 de março de 2009

AH..BÓBORA.

Não tenho idéia e nem tive curiosidade suficiente que me levasse a procurar quando foi que surgiu o leite condensado no Brasil. Sempre ouvi falar que na época da guerra ele facilitou a chegada de leite aos fronts, pois não estragava fácil e era cômodo para o transporte.
Também me lembro de algum adulto dizer que o destino do leite condensado era justamente se transformar em leite puro, apenas juntando-lhe água.
Mas, esse papo todo é porque me lembro que na minha infância o tal leite da latinha, que acabou virando figura de linguagem eternizado como Leite Moça, não era tão comum como hoje, tampouco tão usado.
Há quem diga inclusive que o leite condensado roubou muito da autenticidade dos nossos doces brasileiros mais simples e corriqueiros. E por falar em simplicidade e em infância, o que mais comíamos na minha época eram os doces caseiros com frutas. Minha avó fazia até mesmo doce de mandioca com calda de açúcar queimado que era muito gostoso. Também reside o fato de que nosso paladar não estava desvirtuado pelo leite condensado.
Em casa, mesmo quando faço os doces dos tempos das avós, não costumo usar muito açúcar (outro costume que era bastante comum).
Aí vai o meu jeito de fazer o doce de abóbora em pedaços, considerando que não tenho muita (ou quase nada) paciência de ficar mexendo panelas como minha avó fazia com seu doce de leite invejável.

Corto pedaços de abóbora em cubos e coloco em uma panela alta
Para cada Kg de abóbora, uso meio Kg de açúcar (minha avó usava um por um)
Jogo o açucar sobre a abóbora, tampo a panela e deixo de um dia para o outro sobre o fogão, sem acender fogo.
No dia seguinte o açúcar derreteu todinho e aí sim ligo o fogo baixinho com a panela destampada e vou deixando ferver até que a calda vá engrossando. O detalhe é que em nenhum momento é preciso mexer o doce. Só vou observando a panela, verificando se a calda não está secando muito rápido. Costumo usar pauzinho de canela e cravos.
Quando a calda estiver num ponto agradável, meio grossinho, desligo o fogo e chamo a criançada que obviamente já roubou alguns pedaços, antes mesmo do doce ficar pronto.
Este doce pode ser cristalizado, mas aí uso mais açúcar para a calda ficar "mais pesada" e depois que estiver bem apurado, é só escorrer os pedaços em uma peneira, passar os pedaços no açúcar cristal e deixar espalhados na própria peneira, no sol.

O INÍCIO DO PREPARO


O DIA SEGUINTE, COM O AÇÚCAR TODO DERRETIDO



O DOCE PRONTO E DIMINUÍDO, É CLARO.