quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NÃO TEM PREÇO...

Sim, já vai longe o tempo em que morando no interior de São Paulo, ainda criança, não tínhamos tantos apelos do deus "consumo" e as coisas parece que demoraaaaaaaavam pra acontecer, as novidades eram poucas, mas muito comemoradas. Ou talvez o simples fato de ser criança com poucas responsabilidades a não ser brincar na rua, nadar no rio, andar a cavalo e jogar bola com a molecada nos faziam pensar que a vida e os dias custavam a passar. Naquele tempo (nem é tão longe assim, uns 30, 30 e poucos anos), esperávamos o Dia de Reis, o aniversário (a pizza e o pastel da vó, o refrigerante caçulinha), a Páscoa (um ovo para toda a família, com um minúsculo coelhinho de plástico amarrado numa fita de cetim), o Dia das crianças (uma roupa ou um jogo de tabuleiros), o Natal (ah, a primeira bicicleta a gente nunca esquece)...
Pois nesse tempo já ido, as mães não trabalhavam fora, aliás a minha sempre trabalhou "dentro", costurando animadamente - até hoje - sempre com seu radinho de pilha ligado (a Impecável Maré Mansa, o astrólogo Osmar Cardoso, a propaganda do Regulador Xavier - vive melhor a mulher, Fiori Gigliotti narrando futebol....é fogo torcida brasileira !!!!) . Não era raro termos pão feito em casa, roscas quentinhas salpicadas de açúcar cristal, muito doce "caipira" de abóbora, mamão, laranja-cavalo. E suas freguesas de mais posses, moradoras da capital ou que pra lá viajavam sempre, invariavelmente lhe davam presentes, lhe traziam cortes de tecido, balas da Kopenhagen, que não existiam e não existem até hoje em Brotas. E uma vez ela ganhou um panetone !!!!
Isso mesmo, um panetone, e feito em casa. Claro que as comadres tratavam logo de trocar a receita. E aconteceu que a de panetone nunca foi reproduzida e ficou por muito, muito tempo guardada. E foi então que saudosamente, nas férias de julho, mexendo no caderno de receitas que quando criança eu escrevi para minha mãe, encontramos a receita escrita a mão, numa folha de caderno bem amarelada, ingredientes como banha de porco e medidas simples como um pratinho de uvas passas e um pratinho de frutas cristalizadas.
Para assar, recomendava-se saco de pão forrando uma lata de banha.
O fato é que independente da receita que hoje achamos facilmente na internet, revistas e programas de culinária, tenho de reverenciar o mote de um comercial de cartão de crédito, pois fazer panetone com a mãe, curtindo férias, sabendo que a criançada vai chegar e comer muito e rapidamente: NÃO TEM PREÇO.



11 comentários:

Odete disse...

Que lindo Ana. Isso nao tem preco mesmo. Seu relato me eh bem familiar e senti uma nostalgia boa lendo seu texto. Sem contar que sou chegadinha num panetone.
beijos

laila disse...

que leitura prazerosa...

eu com um pouco menos de anos já sinto isso, realmente há coisas cotidianas que devem ser saudadas!!!

bjs

Fer Ayer disse...

Ana..me identifiquei demais com este post. Primeiro porque minha avó tb fazia estas roscas e panetones para nos dar de presente e porque estou louca para fazer um doce de laranja cavalo e não acho a danada em lugar algum por aqui. Além do que tb ando ecuperando eceitas antigas do caderninho da minha vó com medidas bem peculiares...risos.
Beijos

Sylvia disse...

Que blog mais gostosoem todos ossentidos Ana. Te juro que li até o ultimo post da pagina. Vc nao faz ideia de como gostei de seu cantinho e do geitinho que voce escreve, que docura em tudo. Amei de mais.
Beijos

Fabrícia disse...

Ana como ficou lindo Que delicia reproduzir a receita depois de tanto tempo. Assim co vc a mamae tb tem um caderno de receitas que escrev para ela....todo fofo. Como ficaram grandoes e bonitos...
Bjcas.

Flavinha disse...

Que delícia tudo! Sortudas estas crianças! E sorte de quem já foi criança e hj pode fazer panetone com a mãe!
Ah! e adorei a simplicidade e praticidade da sugestão do papel de pão na lata de banha!
Beijos

Fer Guimaraes Rosa disse...

Ana, a unica diferenca ente a sua historia e a minha eh que minha mae trabalhava fora e entao tudo que aparecia de gostoso na nossa mesa era decisao e escolha dela mas preparado por outra pessoa. Delicia de simplicidade de vida, neh?

beijo grande!

Agdah disse...

Só faltou mencionar o Biotônico Fontoura. Vc usa essência de panetone?

Sonia Novaes disse...

Ana

Minha mãe tb fazia panetones e tranças no Natal.Como é bom relembrar essa fase tão boa da nossa infância,não é mesmo?
Essa semana,contei à uma amiga oque minha mãe fazia aquele pirulito de açucar com limão que era vendido nos circos,lembra-se?
E não é que hoje ao assitir ao Programa da Ana Maria Braga,uma moça de Lençóis Paulista ensinou as pessoas a fazerem o tal do pirulito,igualzinho ao que minha mãe fazia,me deu até um nó na garganta,porque minha doce mãezinha,faleceu há seis anos.
Gostei do que escreveu...
Bjs carinhosos para vc...

cozinha da drica disse...

Ana Lúcia maravilhoso seu post!!!Sabe que moro em Campinas como já conversamos , aliás moro em Sousas e passei minha infância muito parecida com a sua com certza! Bjks e ótimo final de semana!

Nani do Paulo disse...

Nostalgia é sempre bom né?! Que lindos panetones menina, como se faz essas maravilhas? Eu quero!
Ah! Lembra que te disse que nunca tinha comido sagu e que iria testar, pois é, testei. Menina ainda bem que cada um tem um gosto, pois de dependesse de mim não se venderia sagu, rs Eu não gostei!
Beijos