segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ESQUADRILHA DA SAUDADE

Tudo o que tenho esperado dos finais de semana é um pouco de sol.
No quintal, passo a tarde lendo preguiçosamente debaixo do pé de pitanga, vou do jornal do dia, às velhas e guardadas revistas de culinária, recortes antigos de jornais, bula de remédio, obituários. Ah, eu adoro ler, adoro saber de tudo, sobretudo sobre tudo.
E num desses domingos, vindo de longe o som de uma esquadrilha que habitou meus sonhos de menina em Brotas, quando meu pai me levou pra conhecer a Academia da Força Aérea em Pirassununga. E não é que eles estão sobre minha cabeça ?? Não, não estou plagiando Caetano em sua Tropicália, mas é impossível não lembrar : "Sobre a cabeça os aviões, sob os meus pés os caminhões, aponta contra os chapadões, meu nariz."
Corro pra buscar a máquina, mas é tudo muito rápido e confuso. Ouvir os motores, tentar saber de onde vêm, posicionar a máquina, clicar. Mesmo assim, ainda consigo e fico alegre, volto à infância, como quando meu pai me levou pra conhecer a Academia da Força Aérea em Pirassununga.





SIMPLICIDADE, AMOR E ALEGRIA

A história é cheia de histórias e a de São Francisco de Assis, cuja data comemorativa cai em 04 de outubro, diz que ele é o santo da simplicidade, do amor e da alegria.
Pra mim então, São Francisco era "o cara" e essas 3 características já bastam pra que ele seja meu preferido.
A cada um cabem seus próprios questionamentos, e os meus são muitos com relação às religiões. Fé já é outra conversa e como musicou Gilberto Gil, ela não costuma falhar, olará !!
Pois então, não poderia deixar de participar da bênção dos animais que aconteceu no colégio das crianças. Era tanta bicharada que acho que nem o Frei acreditou. Tinha cachorro, gato, chinchila, galo, jabuti, hamster, peixe, passarinho, carneiro, cachorro na bacia e até bicho de mentirinha que também ganhou o benzimento.















NEM PRÁTICA NEM HABILIDADE

Taí algo que poderia comer todos os dias.
Para fazer não se requer prática, tampouco habilidade.
Pão velho tostado na frigideira, queijo derretido, tomate, alface, orégano, azeite.


domingo, 25 de outubro de 2009

LUGAR DE MULHER É NA...

...Na cozinha ! Certamente com esse advérbio é que muitos completariam a frase. Até mesmo porque a grande maioria dos posts desse blog faz sempre uma referência a esse lugar que em princípio seria povoado pelas mulheres. Mas, alto lá , pois já é chegada a hora de revermos também esse conceitto.Eis que a frase de Vito Gianotti ecoou soberana no Congresso Da Federação das Mulheres do Paraná do qual participei no sábado 24 de outubro: "LUGAR DE MULHER É NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA, DONA DE SUAS IDÉIAS, DE SEU CORPO, DE SEUS SENTIMENTOS E FELIZ."

Com o tema "Trabalho, igualdade, independência", foram discutidos em painéis e debates assuntos diversos tais como: a defesa do petróleo brasileiro na camada do pré-sal , saúde da mulher, Lei Maria da Penha, oportunidades, direitos, necessidades, etc
Na platéia, entre duzentas a trezentas pessoas, grande maioria mulheres, algumas que vieram em caravans de outras cidades, associações de moradoras, vereadoras, prefeitas, sindicalistas, mulheres, mulheres, mulheres.
A Federação das mulheres do Paraná é presidida pela Alzimara Bacellar, que comandou as mesas de debates e discussões, e que tem em seu presente e passado históricas participações em atos e atividades sempre em favor das mulheres.
Também presente a simpática Gláucia Morelli, presidente da Confederação das Mulheres do Brasil e Conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Não posso deixar de destacar a forma descontraída embora firme e séria, com que a Alzimara e a Gláucia comandaram o evento.

Destaques:

"Somos diferentes sim, mas essas diferenças não devem gerar desigualdades.
(Alzimara Bacellar)

"Devemos ter para com a mulher, um olhar para além da reprodução"
Jose Luis Telles - Representando o Ministro da Saúde, e relembrando a criação dos Centros de Atenção Integral para a Saúde da Mulher nos idos de 1984.
"A luta da mulher pela mulher"
Ivanira Pinheiro - Diretora do Procon
A Diretora Marlene Zanin da Copel, maior empresa do Paraná compartilhou sua história e demonstrou o orgulho de ser a primeira mulher Diretora em uma empresa com 54 anos de existência. Contou que existem assuntos difíceis e que parecem ter sido feitos para os homens, principalmente os engenheiros com seus pensamentos cartesianos, porém nada é impossível quando se tem força de vontade e um "olhar" diferenciado. Frisou com orgulho e convicção seu compromisso com a sustentabilidade.
A Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - Lygia Pupatto contou-nos sua
trajetória de engajamento em defesa das condições femininas, sua militância no movimento sindical, seu mandato de vereadora até a reitoria da Universidade Estadual de Londrina e atualmente sua participação como Secretária de Estado .
Com certa emoção lembrou-se da frase de Bertold Brecht que a acompanhou desde os tempos de faculdade e que sempre a impulsionou, para que nunca aceitasse determinadas imposições principalmente pela ditadura que à época a fez perder amigos e colegas.
"Nós vos pedimos com insistência: não digam nunca - isso é natural - para que nada passe a ser imutável..."
Ao final de sua apresentação, leu o poema "Hino"de Bruna Lombardi

"Tenho lutado todos os dias pra ser uma mulher
No entanto onde nasci os homens têm sempre razão
e eu que não me interesso pela razão mas por outros sentimentos
teço silenciosamente à porta da minha casa
junto às outras mulheres na minha rua
a trama dos nossos instintos
e minha rua passa por outras cidades,
atravessa países,
não há fronteiras
tecemos todas nós o mesmo fio
matéria viva da nossa bandeira"
Alzimara e Gláucia ao centro
Lygia Pupatto, Gláucia Morelli, Marlene Zanin e Alzimara

Dona Alzira Bacellar mãe da Alzimar, fazendo aniversário,
de mais de 80 aninhos e sempre participando das atividades.
Alguém tem de trabalhar e o JokaMadruga deu um duro
danado para pegar todos os lances das irrequietas mulheres
É por isso que ele está em todas

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MUITO ALÉM DE UM BOLINHO DE CHUVA...



Quem for contemporâneo a mim irá se lembrar da propaganda do biscoito que terminava com a pergunta "é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho".
Com as insistentes chuvas aqui em Curitiba, outro dia em casa me pediram pra fazer bolinho de chuva. Aí eu me intriguei querendo saber porque nominamos essa massinha tão fácil e versátil de bolinho de chuva.
É de chuva porque fazemos nos dias chuvosos quando somos obrigados a ficar mais tempo em casa, ou é de chuva porque pingamos a massa com uma colher e os bolinhos ficam em formato de gotas de chuva ? Respostas para este blog.
Bem, a primeira opção até seria muito bem vinda no último sábado,em que pra variar choveu, mas na verdade o programa foi muito além dos bolinhos de chuva.
Há algum tempo não me lembro se foi a Paula ou a Gina havia lançado a ideia de um encontro de mulheres que escrevem blogs e moram em Curitiba. Também não me lembro como foi que fiquei sabendo. Ora pois, e não é que o encontro aconteceu !!
O local escolhido é muuuuuito agradável (Confeitaria Coeur Doce) e com comilanças deliciosas, embora as companhias estivessem tão mais interessantes que parece que nem comi (ou será que embora tendo comido um monte de coisa, mesmo assim não tenha conseguido provar nem a metade das coisas oferecidas ???!!!)
Éramos 10 e mesmo tendo sido a primeira vez e sem que nos conhecêssemos, tudo rolou de forma descontraída e muito animada.
Passamos umas 3 horas, conversando, contando gostos, mostrando e tirando fotos, comendo e bebendo, dando uma chance para novas amizades e afinidades que sem dúvida afloraram.
Eu e Gina descobrimos que já moramos nas mesmas várias cidades, e em uma delas - Campinas - apenas separadas por uma rua.
Fiquei sabendo que o marido da Cris é um dos jogadores do football americano que acontece perto de minha casa e que eu assisto, assisto e não entendo nada. Que a mesma Cris é locutora de uma rádio comunitária e que ela é muito animada e fala mesmo pra caramba.
A Suzete além de histórias da Ucrânia, nos apresentou sua netinha Aline, embora tenha ficado menos tempo conosco, não sem antes eu me candidatar a ganhar uma muda de uma linda flor que é a que dá o nome ao seu blog - Kalena.
A Paula - e eu preciso saber dessa história direito - nasceu em Moçambique, tem os traços orientais e veio pequena para o Brasil. Tem uma escadinha de três lindos filhotes com a carinha mais sapeca do mundo.
Lady Bug - a Jana - demonstrou ser uma moça prendada, faz scraps, cozinha, fotografa, cuida da cachorrada (da dela e de vez em quando ainda adota) monta álbuns pra moçada que encomenda, e ultimamente voltou à faculdade pra fazer Psicologia - Se esse grupo continuar, terá muitos estudos de caso - Oh coitada !!!
Pra finalizar, a inusitada presença de quatro irmãs artistas, arteiras e "blogueiras", muito parecidas entre si e que se juntaram a nós.
A Katia(que ficou do meu lado e então sei que ela é ela), a Bárbara - mãe da Flora - criança adorável,meiga e muito simpática que fez amizade até com o pessoal da outra mesa, a Aguida e a Soninha. Bem, pelo jeito essa família é um caso a parte pois até os pais são artistas - vejam em um outro blog da Katia.
Claro que levei minha máquina fotográfica pensando em mostrar bastante coisa aqui, mas também é claro que fiquei sem bateria (eta cabecinha...), embora este tenha sido um mero detalhe pois o que tiraram de foto e já espalharam nos blogs citados aí em cima, não tem tamanho.....e ainda tem mais coisa por vir.
Portanto, certamente não é por falta de foto que nosso evento não mereça ter esse meu registro.
Pra terminar, agradeço pelos biscoitos que ganhei da Gina e pelo lindo livro postal com ilustrações da própria, que ganhei da Katia.
Foi tudo muito bom ! E que venham os próximos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A NEGA PREFERIDA...

Minha receita do bolo Nega Maluca ganhei de uma colega de trabalho quando morava no Rio de Janeiro em 1997. Eu ainda me lembro de chegar em casa bem barriguda na segunda gravidez, e de ter ido logo pra cozinha fazê-lo. Desde então essa é a receita preferida lá em casa pelos meus três adoradores de chocolate.
Este último fiz em um domingo pela manhã quanto todos ainda dormiam e eu já perambulava pela cozinha.
"Escondi" o bolo na mesa da sala e só revelei à hora da sobremesa do almoço. Pois meus neguinhos é que ficaram malucos.

É muito simples
Peneiro em uma tigela:
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de achocolatado (Nescau, Toddy, etc...que já contêm açúcar)
1 xícara de cacau em pó ou chocolate em pó sem açúcar (deixam a massa mais escura e não tanto doce)
1 colher (de sopa) de fermento em pó
1 xícara e meia de açúcar
Sobre eles, junto dois ovos e 1/2 de xícara de óleo
Tento misturar o quanto consigo, porque está bem duro
E então pra dar o ponto da massa, junto uma xícara e mais um pouquinho de água fervente.
Aí sim, misturo bem e levo ao forno pré-aquecido em forma untada/enfarinhada
O recheio e a cobertura eu faço um tipo de brigadeiro assim:
Levo ao fogo
1 lata de leite condensado
1 colher de margarina
1 colher de mel (opcional)
3 colheres de achocolatado ou chocolate
Mexo para não grudar e não deixo ficar muito duro, pra poder facilitar a cobertura. Desligo o fogo e junto uma caixinha de creme de leite ou boas colheradas de nata. Misturo bem e está pronto.
Frutinhas e granulado são mera maquiagem.




terça-feira, 15 de setembro de 2009

FUBÁ CAIPIRA...

Eis o bolo "mata fome" de fubá que fiz para deixar para as crianças enquanto vou viajar.
Mas esse fubá tem história.
Começou no mês de junho de 2009, numa manhã friorenta de domingo, quando invariavelmente assistindo ao Globo Rural, via a reportagem especial que era sobre os moinhos de pedra.
A reportagem muito interessante, passou por vários assuntos, desde a Odontologia até a linguística com exemplo de palavras derivadas da mó - a pedra de moer - moela, molar, moer.
Fiquei especialmente intrigada quando o repórter referiu-se ao fubá que utilizamos atualmente e que por ser feito industrialmente não deixa aquele cheiro delicioso e saudoso no ar quando o estamos cozinhando, como acontecia com os bolos de fubá de minha avó.
O motivo seria o fato de que do milho que vai para fazer fubá já foi retirado o germe para o óleo.
A aula se fixou no meu cérebro e decidi que precisava comprar um fubá feito em moinho de pedra para testar.
Pois é a mais pura verdade. Matei a cobra e preciso mostrar o pau. O cheiro que fica no ar é delicioso e realmente diferente daquele de quando usamos um fubá industrial.
Fiz assim:
3 ovos de galinha caipira de Brotas
2 xícaras de açúcar
1 copo de leite
1 colher de manteiga ou óleo
2 xícaras de fubá de moinho
3/4 de xícara de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó
Uma pitada de sal
Erva doce opcional
Pedaços de queijo curado ou coco ralado também opcional
Assadeira untada e enfarinhada
Bons ares e aromas !!!!!! Já repeti muitas vezes


QUE PALHAÇADA !!!!

Quando eu crescer também quero ser palhaça. Tem de estudar, ser palhaço é coisa séria.
Conheci estas duas palhaças em Jau no Hospital Amaral Carvalho, lá pelos idos de 2007/2008, não me lembro bem.
Naquele dia também conheci a Dona Nair que tristemente acompanhava seu marido em tratamento contra o câncer.
Ela me contou um monte de histórias da vida deles, e em minha mente passava a letra da música do Roberto Carlos...."pois sem você, meu mundo é diferente...minha alegria é triste".
Ela até sorriu com as palhaças, mas eu sabia que sua alegria estava triste.
Alguém encontrou a Dona Nair ? Pois nosso papo ficou assim, indo cada uma pro seu lado, cada uma indo cuidar de suas alegrias e tristezas.





BOLO MATA FOME...

No último feriado de 7 de setembro fomos para Brotas, pois o dia 8 também seria feriado em Curitiba. Portanto, quatro dias de descanso. Mas, embora pareça muito, na verdade perde-se bastante tempo nos 600 Km de viagem, somando 1200 Km.
A ida é de muita alegria e ansiedade, mas quando voltamos parece que a estrada está mais longa e a paisagem já não é mais agradável pois a saudade já vai se instalando. É um ter de voltar, sem querer sair.
Pela manhã da terça feira, já fui como sempre, carregando as malas para o carro, enchendo caixas com as verduras, frutas, ovos, queijos, pão....e todos os eteceteras que invariavelmente trazemos.
Desta vez, diferente dos lanchinhos de presunto e queijo, minha mãe fez um bolo que costumamos chamar de bolo mata-fome, pois as medidas da receita dependem dos ingredientes à mão no momento bem como da quantidade dos mesmos.
Assim, foi um bolo muito simples, com gemas de ovos e claras em neve, açúcar, manteiga, farinha de trigo, leite e fermento e que foi assado em mais ou menos meia horinha diretamente na boca do fogão, com o apetrecho da foto.
O bolo foi devidamente embrulhado em papel alumínio e por uns cento e cinquenta Km depois ainda estava quentinho, tendo sido devorado durante a viagem.
Hoje à tarde estarei viajando para Brasília para uma reunião de trabalho. Ficará para as crianças um bolo bem caipira de fubá. Um dia eu ainda quero ser como a minha mãe.








terça-feira, 1 de setembro de 2009

MODELANDO AS RAIVAS...

Eu sempre conheci por sequilhos, mas um dia passeando por aqui, descobri que também chamam-se raivinhas. Dizem que é porque de tão bons, dá até raiva comer um só.
E foi assim que naquela tarde, fiz rapidamente uma receita dessas tais raivinhas e coloquei meu recheio favorito que é a goiabada.
A receita do blog da Cláudia foi o mote, mas como sempre, a minha subversão imperou e acabei colocando mais polvilho, menos açúcar e até um pouquinho de água pra dar o ponto certo de enrolar as tais. A massa é muito gostosa e versátil (dá pra fazer bolinhas, enroladinhos, com recheio, com amassadinho de garfo, com cortador de biscoito, etc,etc) .
E por falar em versatilidade, minha filha descobriu uma excelente massinha pra modelar e com ela mostrou seu talento e paciência, incrivelmente inversos aos meus que se tenho talento, deixo a desejar no quesito paciência para essas coisinhas delicadas e que precisem de habilidades manuais finas.






LARANJINHAS DE OURO...

A abundância de cítricos no Brasil ocorre nos meses do inverno, quando não temos muita vontade de coisas frias, mas a sabedoria popular diz que nesta época temos bastante laranja, tangerina, limão e poncan justamente para nos fartarmos de Vitamina C e fortalecermos o sistema imunológico, já que o frio costuma ser propício para resfriados e gripes.
Mas eis que um pesquisador da Embrapa não a considera como do gênero CITRUS e sim do Fortunella. Informação que não tem a pretensão de tirar o sono de ninguém. Veja a informação e outra receita aqui.
Quando vi as kinkans no supermercado lá em Brotas, por um preço justo e que estavam bem firmes e bonitas, imediatamente me lembrei que havia visto e babado pela compota que a Neide mostrou. Lembrei também que ela, mesmo demonstrando ser mais metódica e organizada que eu, havia feito a compota com medidas proporcionais e muito intuitivamente.
E então, mais uma vez entra em cena o meu jeitão:
Primeiramente botei numa panela onde caberiam as laranjas: água, açúcar, alguns cravinhos e pauzinhos de canela e fui fazendo a calda.
Comecei a cortar as laranjinhas. Mas achei um trabalho tão chato e monótono, ainda mais pra quem não tem muita paciência de ficar parada e assim logo pedi ajuda para o meu filho. Portanto ganhei tempo e enquanto ele cortava eu retirava o centro e as sementinhas com uma tesoura.
Com a calda já grossinha, dei uma lavada nas laranjas e as mandei para o banho quente e doce.
Uns 10 a 15 minutos depois, estava pronto meu doce de laranjinhas.
É um doce agradável com um leve toque amargo das casquinhas. Adoramos comer com queijo fresco, requeijão e sorvete.



quarta-feira, 26 de agosto de 2009

VISITANTES E VISITAS OU O LANCHÃO DO BORÃO...

Na casa do Borão, somos sempre visitantes, mas nunca visitas, no sentido "pompa" da palavra. Quero dizer que lá é a extensão de nossa própria casa e meus pais sempre fizeram questão que assim o fosse.
Num de meus últimos posts, resquício ainda das férias de julho, com algumas comilanças sobre o fogão, intitulei o post de Estou esperando visita.
Na verdade, em uma certa tarde em que meus pais foram ao médico em Jaú, ao me ver sem ter o que fazer, fui pra cozinha e resolvi esperá-los com uma surpresa.
Então saíram coisas do meu jeitão, classificáveis como simples, fáceis de fazer e gostosas. Até porque vou fazendo tudo junto, mexo daqui, quebro ovos dali, acendo o forno, tiro as bolachas da grade de cima, ligo o liquidificador, enfim uma suave bagunça mas que ao final estou com louça lavada, fogão limpo e cabelo desgrenhado, mas com uma vontade louca de sentar para comer um pouquinho de cada coisa. Sem contar que as crianças sempre vão aparecendo e beliscando daqui e de lá.
Neste dia assim que coloquei tudo pronto sobre o fogão e acabei de passar um café, meus pais chegaram e levaram o maior susto. Ver a cara deles de alegria, como diria qualquer programa de cartão de crédito: Não tem preço.

A receita abaixo oferece múltiplas variações e adaptações do tipo menos ovo, mais leite; menos farinha de trgio, um pouco de aveia; não tem gergelim, coloca linhaça; não tem leite, um pouquinho de água e por aí vai. Na minha cozinha é assim !!

Chamamos de Bauru de forno ou Lanchão do Borão:
Bater no liquidificador:
03 ovos
1/2 xícara de óleo
1 xícara de leite
15 colheres (sopa) de farinha de trigo
Sal a gosto, se quiser pimenta, cúrcuma, páprica, etc, etc ou apenas sal
1 colher de sopa de fermento em pó
O recheio claro que é a gosto do freguês que deve deixar a imaginação fluir
Neste eu usei:
tomates em rodelas temperados com cebola bem picadinha, sal e orégano,
presunto, queijo mussarela e um pouco de creme de leite.
Em forma untada e enfarinhada, colocar uma parte da massa, o super recheio, o creme de leite e o restante da massa. Alisar com uma espátula (se achar que o recheio ficou muito descoberto), salpicar o grão da preferência (eu usei linhaça) e levar ao forno até dourar.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

FUI E JÁ VOLTEI...

No início de agosto fui ao Rio de Janeiro fazer um curso sobre Previdência Privada. O Hotel em que fiquei, entre o Flamengo e o Catete proporcionou-me grandes possibilidades de passear bastante por locais que por algum tempo fizeram parte do meu dia a dia, quando trabalhei na Lapa.
Pude novamente andar pelo Largo do Machado e apreciar os Abricots de Macaco, árvores imensas que dão lindas flores rosas e de seu tronco soltam grandes bolas parecendo porongos ou cuias.
Voltar ao Parque Guinle onde tantas vezes levei meu filho quando pequeno pra brincar e por alguns instantes sonhar que o Rio é uma ilha de tranquilidade e calor humano.
Passear pelas ruas de Laranjeiras onde morei, rever o porteiro do prédio, a Diretora da Escola - Dona Lenira - contar-lhe que o César já é um mocinho, bom aluno e receber de volta discretas lágrimas nos olhos de agradecimento num desabafo do quanto ela estava feliz com minha visita, como por alguns momentos levei-lhe alegria e aquele velho apelo "está valendo a pena."
Por duas vezes voltei ao Museu da República, numa delas já era início de noite e na Livraria acontecia uma noite de autógrafos à qual me juntei só pra curtir lindas músicas tocadas ao violão.
Rapidamente tirei algumas fotos e fui-me embora, pensando no Presidente que se matou ali, quanta agonia, quantos segredos de Estado, noites quentes de verão nas sacadas em companhia de seus charutos e de sua coragem ou covardia.
Na segunda vez, logo após o café da manhã no Hotel, fui caminhar pelos Jardins ver a paisagem diurna, o corre corre para o trabalho, o tai chi chuan calmo das senhoras e senhores aposentados, pássaros, fontes, a vida acontecendo.
No dia de hoje, há cinquenta e cinco anos, o então Presidente comete suicídio ali mesmo no terceiro andar.
Deixou a vida, entrou para a história e eu fico ali sentada pensando, pensando."Eta vida besta, meu Deus" como já escreveu Carlos Drummond !!!













quarta-feira, 19 de agosto de 2009

QUEBRAR ÁTOMOS ???

Na primeira semana de trabalho após minhas férias, minha empresa juntamente com algumas outras empresas públicas, patrocinou um evento Regional que teve como ponto chave o fortalecimento da equidade de gênero e a discriminação racial no mundo do trabalho.
Embora estivéssemos no início dos rumores da pandemia de gripe A, com chuva e muito frio, o público foi bem grande e muita coisa aproveitei, além da comida generosa e boa.
Aconteceu no Restaurante Madalosso no famoso bairro gastronômico de Santa Felicidade.
Fico feliz em participar de eventos onde vejo que embora aos poucos, vamos conseguindo enterrar alguns preconceitos. Se fosse fácil nem precisariam existir ações afirmativas para muitos desses assuntos, mas como diz o ditado, cada um de nós pode ser uma gota no oceano, que não seria o mesmo sem cada gota.
Além de momentos de conhecimento, interação e generosidade, ficaram algumas frases:

"Há que se desconstruir tudo o que gera desumanidades"

"Só tolerância não resolve. Precisamos ocupar o mesmo lugar."

E a máxima de Einstein: " Época triste a nossa...é mais fácil quebrar um átomo que quebrar preconceito."

Ao final do evento bati um gostoso papo com a Maria Inês Barbosa, a estrela do evento com uma linda palestra. Ela é a Coordenadora do Programa de Gênero, Raça e Etnia do UNIFEM Brasil e Cone Sul.

Duas brilhantes palestristas também: Jana Guinon - Coordenadora Cultural Executiva da Ong
Estimativa Rio e Cidinha que apresentou um relato sobre discriminação e ações afirmativas no mundo do trabalho.

O Presidente do Serpro

A mestre de cerimônias - Dulcinéia Novaes - Rede Globo, plim plim

E pra não dizer que não falei das flores que eram perfumadíssimas e lindas.


Fica a música do Gilberto Gil: A MÃO DA LIMPEZA
(Para ouvir com Chico Buarque e Gil http://www.youtube.com/watch?v=tzFxd4gxbpQ )

O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ESTOU ESPERANDO VISITA...

"Passam pássaros e aviões e no chão os caminhões
Passa o tempo, as estações, passam andorinhas e verões
Passe em casa !
Tô te esperando, tô te esperando !

Estou esperando visita, tao impaciente e aflita..."



Receitas em breve...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

EU TE AMO MEU BRASIL OU DE COMO É BOM CURTIR UMAS FÉRIAS...

Sair de férias por vinte dias foi maravilhoso. Como sempre, armamos nosso quartel general em Brotas e de lá íamos inventando mil coisas para fazer.
Tivemos de tudo: comida boa de mãe, avó e tia, flores, frio, chuva, lua cheia, arco íris, caminhadas no mato,por de sol, aniversários, viagem e muito mais...
Neste julho passado fomos para a Capital para que as crianças conhecessem São Paulo de tantos cantos, tantos desencontros, tantas diferenças, tanto pra se falar, gostar ou odiar.
Bruna encantou-se com o metrô, uma novidade para uma garota de 11 anos que já morou em tanto lugar, mas não o conhecia.
O Zôo Safari foi uma aventura inusitada e divertidíssima, com os animais botando a cabeça dentro do carro pra ganhar amendoins, mas achamos que o local está mal cuidado e meio deprimente como todo zoológico.
Meu filho César se encantou com as adjacências da Rua Santa Efigênia, reduto dos eletrônicos e que tais, pelos quais ele já demonstra um grande gosto e propensão ao entendimento.
Eu como sempre aproveitei tudo, a nostalgia de uma Estação da Luz que conheci pequena quando fiz uma viagem de trem para Santos. O misterioso e imponente Mosteiro de São Bento, cujo sabor do famoso pão não me agrada, mas que não deixo de comprar pra presentear meu pai.
E o que dizer da arquitetura dos prédios centrais, centenários e que nos levam a imaginar como foi tudo aquilo um dia lá atrás no passado. É como se eu tivesse uma saudade de alguma coisa que não conheci e nunca vivi.
Não pudemos deixar de apontar a degradação também, a poluição, os moradores de rua, os nóias como são chamados os consumidores de droga vagando pela área central..., o stress no trânsito, o medo de assalto, a desconfiança no meio de tanta gente, enfim...
Depois de dois dias na capital, uma passagem por Campinas amada, onde morei por bastante tempo, fiz faculdade, casei, pari o César, e que me é tão viva na memória.
Voltamos para Brotas e lá terminamos as férias.
Por ora, ficam algumas fotos de momentos especiais, já prometendo outras pra breve.
Na cabeça martela o poema de Pablo Neruda e a certeza de que amo até e principalmente as raízes, desse meu Brasil...

"Eu me despeço
Volto à minha casa, em meus sonhos.
Volto à Patagônia, aonde o vento golpeia os estábulos e salpica de frescor o oceano.
Sou Nada mais que um poeta: amo a todos,
ando errante pelo mundo aue amo.
Em minha pátria, prende-se mineiros e os soldados mandam mais que os juízes.
Entretanto, amo até mesmo as raízes de meu pequeno país frio.
Se tivesse que morrer mil vezes, ali quero morrer
Se tivesse que nascer mil vezes, ali quero nascer
Perto da araucária selvagem, do vendaval que vem do sul, das campanas recém compradas
Que ninguém pense em mim.
Pensemos em toda a terra, golpeando com amor a mesa.
Não quero que volte o sangue...a molhar o pão, os feijões, a música:
Quero que venha comigo o mineiro, a criança, o advogado, o marinheiro, o fabricante de bonecas.
Que entremos no cinema e bebamos o vinho mais tinto.
Eu não vim para resolver nada.
Vim aqui para cantar e quero que cantes comigo. "

Lentilha com calabresa, arroz e rúcula

Acidente presenciado logo em nossa chegada. Muita neblina, muita negligência...

Uma árvore linda no meio do caminho, numa calçada de Brotas

Frango assado com farofa de milho no domingão...

Um início de por do sol em um dos locais de caminhada no mato...

Pindaíba no pé...

Flor de São João e de cacto em comunhão...

A lua despontando e no meio da árvore a casa do joão de barro...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PREPARAR PARA A DECOLAGEM...

Atenção senhores passageiros, diretamente do Aeroporto Pé de Chinelo, aqui quem fala é o comandante !!
Esta aeronave possui a mais perfeita aerodinâmica, baseada em padrões totalmente livres e naturais.
Nosso estofamento é moderno, colorido e aveludado, flutuante em caso de pouso na água.
A seguir daremos início ao serviço de bordo....




VALE TUDO...

Vale passar os pratos pela janela...
Valem os copos de lata...
Vale palmito de pupunha...
Vale tomatinho do quintal...
Vale churrasco bem passado...
Vale sorvete com mel e banana assada...
Só não fale ficar sem meu feijão !!!








HE'S BLACK AND WHITE...

..And I told about equality
An it's true
Either you're wrong
Or you're right
But, if
You're thinkin'
About my baby
It don't matter if you're
Black or white

E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO...

Oou oou oou...
e com muita cebolinha verde, peito de frango, macarrão e mandioquinha !!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

DEPOIS DA CURVA...

Depois da curva...
Depois da chuva...
Mas eu não gosto de chocolate !!!!!







quinta-feira, 25 de junho de 2009

IGUAL MAS DIFERENTE OU VÁ MOLDAR PAÇOCAS.

Ontem ao chegar em casa após o trabalho resolvi voltar ao blog Come-se para rever a tal paçoca que havia ficado com vontade de comer e de fazer porque não vai ao fogo e achei que não é muito doce.
Logo vi que não tinha todos e nem a quantidade dos ingredientes necessários. Mas a base estava garantida.
Então no processador coloquei o amendoim, açúcar mascavo e melado de cana, sem medir nada, apenas no "zóião". E pra quebrar a cópia total, ainda juntei uma pitada de sal, assim com rima e tudo.
Eis então uma paçoca que pretendia ser igual, mas acabou diferente e ficou deverasmente boa.
E enquanto lavava a louça, já fui convocando a Bruna:

-Vá moldar paçocas !!!!!!!



quarta-feira, 17 de junho de 2009

A BELA E O FERA...

Desde sempre ela se encantou com bichos, bichinhos e bichões. Seus favoritos são os cachorros e não por acaso eles também a perseguem.

Conhece todos os "modelos", desde os galgos mais magrelos e nobres até os "guaipecas" e SRD's* mais abandonados. Segundo ela, é como se eles lhe sorrissem e ao ver um rabinho abanando ela irresistivelmente já vai fazendo amizade, dando um petisco, trazendo pra casa. Já chorou inúmeras vezes pra adotar tudo que é cachorro encontrado.

Na sequência abaixo, em Brotas, o encontro com um cachorro de uma amiga que é fujão e que quando consegue fugir de sua casa, imediatamente se refugia na da minha mãe. Isso já acontece há muito tempo e já nos achamos um pouco donos da fera - ah e o nome dele é mesmo Fera.

*sem raça definida - também conhecidos como vira-latas...










SÃO JOAÕ ANTONIO PEDRO...

Morei em Brotas até os 17 anos, quando quis bater asas, fazer faculdade, trabalhar e me mandei pra Campinas.
Depois de ter saído, não me lembro de ter ido a alguma legítima festa junina em área rural, daquelas que meu avô fazia no sítio, com fogueira, muito rojão, pipoca, quentão, e o mastro dos 3 santos: O Antonio, o João e o Pedro. Lembro de mim criança, catando flores de São João que subiam pelas cercas para enfeitarmos o mastro, lembro do meu avô que fazia a trezena de Santo Antonio, das brincadeiras e simpatias (isto já mais mocinha), que fazíamos pra descobrir com quem iríamos casar, na noite da véspera do dia de Santo Antonio - alcunha de santo casamenteiro.
E então, por essas que o destino prega, casei-me neste dia, há exatos 16 anos, com quem cujo nome nunca havia estado nos papeizinhos que colocávamos numa bacia com água pra dormir no sereno e ver qual estaria aberto no dia seguinte e que seria o tal do príncipe encantado.
E aconteceu que neste ano estávamos em Brotas e uma amiga dos tempos idos, cujos pais foram vizinhos de meus avós, me convidou para a festa junina no sítio ao qual eu não ia há muito, mas muito tempo mesmo.
A sua família tem isso por tradição e sua mãe, Dona Antonieta que já tem 92 anos, faz questão que se repita todos os anos. O esquema é convidar muita gente, fazer a reza na capelinha, erguer o mastro, e servir muita, mas muita comida boa, chocolate quente e quentão de pinga.
Foi uma noite de muita saudade, de rever gente conhecida, alguns que nem me reconheceram, outros que faziam questão de lembrar quanto tempo passou desde o tempo em que éramos crianças e jovens, enfim uma noite muitíssimo agradável, bastante frio é fato, mas recheada de saudade e alegria.


Dona Antonieta faz questão de sair da igreja e acompanhar o mastro, numa compenetração de fé irrepreensível.

Os homens erguem o mastro...

Diz a tradição que moça solteira que "soca" a terra no pé do mastro, consegue arrumar marido...

Acho que tem homem que também tá querendo casar...

A casa de um dos filhos, cheia de gente...

A igrejinha, linda e pequenina...

Fiquei com vergonha, mas fotografei a santa...

Santo Antonio três vezes...

Aquecendo...

Flagrante de uma parte das comilanças...

terça-feira, 9 de junho de 2009

FA - RO - FA

Sinceramente não entendo quem diz que não sabe cozinhar, e se contenta em dizer que a única coisa que sabe fazer é ovo cozido e Miojo.
Claro que não sei fazer tudo o que gostaria, não compro ingredientes mirabolantes e exóticos a ponto de ter o orçamento prejudicado, tenho grandes reservas com quetais de peixes crus, pratos e embutidos com sangue, dobradinha, gafanhotos, lesmas, turus, saúvas ou outros que possam inebriar a Neide Rigo. Porém, contudo, todavia, acredito que não é necessário muito esforço ou grandes conhecimentos para se fazer com simplicidade, um monte de coisa gostosa.
Como não tenho mais empregada, faço o nosso almoço pela manhã antes de vir trabalhar. Dou cabo de fazer em meia hora, quarenta minutos, coisas simples, gostosas e que eu chamo de honestas. Um repolho refogado, uma couve-flor com molho branco, uma berinjela com tomates, uma tortinha rápida com peito de frango e massa batida no liquidificador. E o que dizer das farofas. Ah, farofa todo mundo tem de saber fazer.
Afinal a farofa é um grande e democrático prato, até o nome já sugere uma lambança, uma miscelânea. Numa farofa, podemos "esconder" os legumes que as crianças não querem comer, podemos misturar o que vier à mente e tivermos na geladeira, e dá pra torná-la até um prato único. Pra mim, não há nada mais gostoso que uma "farofa de tudo" com feijão bem quentinho e uma saladinha verde.
Nesta da foto eu usei linguiça sem trema caseira, farinha de mandioca biju sem acento, banana prata preciosa, temperos a gosto em junho, cheiro verde bem verde e cheiroso.

Ah, uma parte da linguiça eu esfarelei e juntei à farinha e algumas eu deixei inteiras pra chamar a atenção.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

ANDORINHAS E URUBUS - OU OS SONHOS DE UMA TARDE DE VERÃO ...


UMA SOZINHA NÃO FAZ VERÃO....


MAS VÁRIOS, PODEM DEIXAR O TEMPO NUBLADO...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

DE MÃES E ORQUÍDEAS...

Nós nos falamos diariamente, ás vezes mais de uma vez por dia.
Pra dizer oi, pra perguntar de novo se está tudo bem, pra dar risada, pra contar qualquer coisa que minimize a saudade, passar uma receita, contar um causo...
"Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo."
Diferentemente do poema, meu pai não montava a cavalo, mas igualmente ao poema minha mãe ficava sentada costurando.
"E eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé."
Igualmente eu também nem nunca havia sequer ouvido sobre esse tal Crusoé que "conheci" já muito depois na Faculdade. Mas, você certamente fez e faz minha história bonita, mais bonita e muito bonita ah lá isso faz mesmo.
Fazendo o almoço do dia das mães, simples, prático e do meu jeitão, claro após já ter falado ao telefone, com inveja de não poder estar comendo sua feijoada, pico cebolas, amasso dentes de alho, um arroz lavado, uma carne no forno, e o pensamento girando, girando.
Te vejo à máquina, chuleando costura, meu caderninho com o "ponto" do lado e você me fazendo as perguntas para a prova do dia seguinte. Lembro de quando comprou a primeira máquina elétrica e nós em volta de você - eu e o Beto - incomodando, querendo apertar o pedal, costurar retalhos pra testar a nova engenhoca moderna.
E nos sábados à tarde, quando passava a roupa das freguesas, dobrava impecavelmente, enrolava em uma toalha felpuda e me dava nos braços como a um garçom segurando uma bendeja e mandava entregar na casa da felizarda. Quantas até hoje são suas freguesas, sem falar daquelas para as quais já costurou para quatro gerações.
Lembro de sua foto com vestido, faixa e coroa de Miss quando foi Rainha do SESI, e do ciúme que meu pai tinha e tem de você, até hoje...ahaahahah...que lindas aquelas fotos e você, mocinha, mas cujo "ar" possui até hoje.
E o que dizer dos programas do radinho de pilha - Osmar Cardoso, Impecável Maré Mansa, todos de futebol que nós até hoje adoramos - que sempre foi teu companheiro mesmo atualmente que já tens em teu quartinho de costura TV e telefone.
Ah, como esquecer dos bolos de aniversário que você fazia, com recheio de doce de abacaxi e coco, cobertos com claras em neve, os refrigerantes "caçulinha" que encomendava no Armazém do "Seu Cláudio Jordani", a pizza de sardinha e os pastéis feitos pela Vó Carminha - essa outra mãezona e avó.
Meu primeiro vestido de baile que você fez, vermelho, tomara que caia com uma faixa presa ao busto que dava voltas, terminava em um laço e virava um lindo drapeado, com saia fluida e forro de cetim. A sandália de verniz preto, de salto alto, somente uma tira no pé, outra no calcanhar - ai que vontade que tinha de usar salto com aquela idade - que você encomendou para uma de suas clientes trazer de Piracicaba.
Quando resolvi trabalhar com quinze anos, contra a vontade do meu pai, mas com todo o seu apoio. Fui trabalhar na creche, cuidar das crianças cujas mães mais pobres precisavam trabalhar para garantir uma vaga. E você me ensinando a poupar, a ter minhas próprias economias a fazer enxoval. Acho que a Bruna nunca ouviu essa palavra.
Aos 17 anos, terminado o colegial, quando quis me mudar para Campinas pra trabalhar e fazer faculdade, também a princípio contra a vontade do papi, mas com todo o seu apoio.
E quantas e quantas roupas você me costurou neste tempo todo e até hoje. Quantas vezes em dias de bailes de cidade pequena, minha roupa foi a última a ficar pronta, já quase na hora de ir para o clube. Afinal, as clientes em primeiro lugar.
E a história de que dava azar experimentar vestido de outra noiva, mas eu é que era sua manequim das clientes que moravam fora.
Até que você fez o meu próprio vestido de noiva, que era lindo e que mantemos guardado até hoje para ser da Bruna - eta ilusão besta....mas assim vamos levando a vida não é ?
Por falar em vestido de noiva, eu já no cabeleireiro me arrumando, ao abrir o lençol que embrulhava o vestido, encontro numa caixinha, linha, agulha e um botãozinho forrado tamanho 12, igual aos demais do vestido, para uma emergência....você sempre pensando em tudo. E eu acho que você nem sabe que quase 16 anos depois eu guardo até hoje a caixinha com o botãozinho e ela já foi comigo para todos os cantos em que já morei.
Quando as crianças nasceram, uma em Campinas; outra no Rio de Janeiro lá ia você passar uma semana comigo e quem gostava mesmo era o Canuto pois lá vinham comida gostosa, cafezinho toda tarde e a vida besta continuando....
Hoje com quatro netos, você é unanimidade para eles que carinhosamente a chamam de Tosquinha e como gostam de seus agrados e te defendem incondicionalmente, para total ciúme do Vô Borão.
Poderia ficar a escrever, a escrever e a escrever, mas creio já estar de bom tamanho depois de tanto tempo afastada do blog. O tempo urge e ruge. Bom mesmo é saber conscientemente que você sabe de tudo isso, pois até hoje a internet não aguçou sua curiosidade. Seus interesses são mesmo as costuras, os tecidos, os moldes, modelos, tesouras desde os seus dezoito, vinte anos, pois como não pôde estudar Medicina as opções foram aprender a costurar ou a tocar sanfona, por mais estranho que isso possa parecer.
Bem, as fotos das orquídeas são de uma exposição que houve aqui em Curitiba no Jardim Botânico, num domingo de muito sol. O cheiro delicioso e sutil, exalado por toda a sala onde estavam, é ímpar e inigualável. As orquídeas florescem apenas uma vez ao ano, mas os cuidados devem ser diários e até que uma muda floresça passam-se de quatro até cinco anos.
Para as mães, temos simbolicamente apenas um dia do ano que lhes é dedicado, mas assim como as orquídeas, elas também requerem cuidados diários e as flores somos nós, seus filhos; que nos tornamos também mães e pais e vamos perpetuando a tal da vida besta, mas que vale muito a pena, e nos faz ter histórias mais bonitas do que as de Robinson Crusoé.


















quinta-feira, 19 de março de 2009

AH..BÓBORA.

Não tenho idéia e nem tive curiosidade suficiente que me levasse a procurar quando foi que surgiu o leite condensado no Brasil. Sempre ouvi falar que na época da guerra ele facilitou a chegada de leite aos fronts, pois não estragava fácil e era cômodo para o transporte.
Também me lembro de algum adulto dizer que o destino do leite condensado era justamente se transformar em leite puro, apenas juntando-lhe água.
Mas, esse papo todo é porque me lembro que na minha infância o tal leite da latinha, que acabou virando figura de linguagem eternizado como Leite Moça, não era tão comum como hoje, tampouco tão usado.
Há quem diga inclusive que o leite condensado roubou muito da autenticidade dos nossos doces brasileiros mais simples e corriqueiros. E por falar em simplicidade e em infância, o que mais comíamos na minha época eram os doces caseiros com frutas. Minha avó fazia até mesmo doce de mandioca com calda de açúcar queimado que era muito gostoso. Também reside o fato de que nosso paladar não estava desvirtuado pelo leite condensado.
Em casa, mesmo quando faço os doces dos tempos das avós, não costumo usar muito açúcar (outro costume que era bastante comum).
Aí vai o meu jeito de fazer o doce de abóbora em pedaços, considerando que não tenho muita (ou quase nada) paciência de ficar mexendo panelas como minha avó fazia com seu doce de leite invejável.

Corto pedaços de abóbora em cubos e coloco em uma panela alta
Para cada Kg de abóbora, uso meio Kg de açúcar (minha avó usava um por um)
Jogo o açucar sobre a abóbora, tampo a panela e deixo de um dia para o outro sobre o fogão, sem acender fogo.
No dia seguinte o açúcar derreteu todinho e aí sim ligo o fogo baixinho com a panela destampada e vou deixando ferver até que a calda vá engrossando. O detalhe é que em nenhum momento é preciso mexer o doce. Só vou observando a panela, verificando se a calda não está secando muito rápido. Costumo usar pauzinho de canela e cravos.
Quando a calda estiver num ponto agradável, meio grossinho, desligo o fogo e chamo a criançada que obviamente já roubou alguns pedaços, antes mesmo do doce ficar pronto.
Este doce pode ser cristalizado, mas aí uso mais açúcar para a calda ficar "mais pesada" e depois que estiver bem apurado, é só escorrer os pedaços em uma peneira, passar os pedaços no açúcar cristal e deixar espalhados na própria peneira, no sol.

O INÍCIO DO PREPARO


O DIA SEGUINTE, COM O AÇÚCAR TODO DERRETIDO



O DOCE PRONTO E DIMINUÍDO, É CLARO.

terça-feira, 17 de março de 2009

ERA PRA SER À CARBONARA...


Não me lembro exatamente onde, mas outro dia, li uma uma receita de macarrão à carbonara e como o termo me chamou atenção, fui pesquisar a respeito. Bem, não cheguei à conclusão alguma, mas fiquei mesmo foi com vontade de comer um macarrão gostoso. E como sabemos, nossa vontade nunca está alinhada aos ingredientes disponíveis nos armários, tampouco aos que repousam na geladeira.
Mas também, quem foi que disse que precisamos seguir tudo sempre à risca. Ai do mundo se não fossem a curiosidade, a criatividade e as inovações.
O que eu tinha era panceta fresca temperada, creme de leite, queijo ralado e uma massa fresca, além dos temperos tradicionais e leite.
Então, piquei a panceta em cubinhos e fritei bem torradinha.
Com um pouco da gordura que sobrou da fritura da pança do porquinho, em outra panela, dourei uma cebola bem picadinha e polvilhei farinha de trigo. Juntei leite aos poucos até desmanchar a farinha e ficar um molho branco que temperei a gosto com sal e pimenta do reino. Depois de pronto, juntei uma caixinha de creme de leite.
Cozinhei a massa e juntei o molho branco. Coloquei numa travessa, salpiquei a panceta frita e cobri com uma camada de queijo ralado.